domingo, 17 de abril de 2011



Por hoje eu só queria dizer que sinto muito. Queria dizer que sinto muito pelos dias cheios de nuvem em que não pude fazer nascer um sol só pra você. Queria dizer que sinto muito pela minha imaturidade, e dizer também que nada do que houve me fez desgostar ou deixar de gostar um pouquinho que seja de você. Queria dizer que sinto muito pelos dias em que precisou, inacessantemente, da minha presença, e que não pude fazê-la em corpo. Nossas dificuldades sempre caminharam lado a lado conosco, não é mesmo?


Queria dizer que sinto muito, sinto tanto, por ter sido uma menina no momento em que precisava ser gente grande, mas é que ser gente grande às vezes é tão difícil. Queria dizer que sinto muito por ainda acreditar em finais felizes e contos de fadas enquanto você precisa ser mais que isso, sabe? Queria dizer que sinto muito por não ter acreditado em você, por não ter acreditado em mim, e, com isso, ter desacreditado de nós. Queria dizer que sinto muito por ter me virado ao avesso inúmeras vezes em prol da sua defesa quando o assunto era só seu. Como você mesmo vê, essa mania de carregar o mundo nas costas ainda me persegue.


Queria dizer que sinto muito pelo término das nossas infantilidades - nos poucos momentos em que podíamos ser infantis -, das nossas brincadeiras sem fim, mesmo que por poucos minutos. Queria dizer que sinto falta de crescer com você, de ser com você. E queria dizer que sinto muito por sentir tanto, mas sinto mais ainda por não querer dizer adeus, por não poder dizer. Por hoje eu te digo até logo, até amanhã, fique bem, durma com Deus, se cuide, juízo. Mas adeus? Ah, adeus não... O nosso adeus eu deixo pra um dia chuvoso.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

De tempo em tempo


A vida, de tempo em tempo, reserva pequenas dádivas que nos são apresentadas em formas de abraço, de gente, de aconchego. Abraços tão acolhedores, gente tão motivadora e aconchegos tão semelhantes às preces que pensamos estar sendo presentados. E estamos. A vida, de tempo em tempo, reproduz momentos inesquecíveis ao lado de pessoas extraordinárias, estejam elas presentes há muito ou pouco tempo em nossas caminhadas. Mas quem vai se importar com o tempo quando o assunto é a vida?

A importância dada a cada situação vai de acordo com a necessidade criada. E a vida, de tempo em tempo, cria necessidades assustadoras. Necessita-se estar em casa, mesmo fora dela. Necessita-se conhecer gente, se espelhar em gente, crescer como gente. Ou simplesmente ser um pouco mais gente, gentilmente. Necessita-se ser só felicidade, sem espaço pra angústia. Pra nostalgia. Pra saudade. Saudade?

A vida, de tempo em tempo, prega peças indiscutivelmente forçosas. Não como uma maneira de castigar ou repreender, mas como desafios que devem, sim, nos trazer aprendizado e satisfação pessoal. E com o tempo a gente tenta, a gente aprende, a gente se acostuma, mas não se acomoda. Nesse domingo com jeitinho de família reunida num jardim florido e cheiro de algodão doce, um "salve" para os que tentaram e conseguiram, para os que tentaram e não conseguiram, mas em especial para os que jamais deixarão de tentar.

terça-feira, 8 de março de 2011

Nostalgia

Manhã de sexta-feira, o dia amanheceu diferente para pelo menos trinta e sete corações aqui presentes. O desespero e a alegria, quando juntos, trazem uma sensação terrivelmente difícil de ser descrita, assim como as tão famosas borboletas no estômago. Não se tem uma exatidão sobre elas, sequer sabemos de onde elas vieram, mas sabemos que estão lá. O dia amanheceu irrevogavelmente diferente, os pásssaros cantarolavam em leves tons de despedida e a saudade resolveu se fazer presente de uma só vez, sem piedade. Ouvi dizer, certo dia, que a saudade deve ser cuidadosamente parcelada, pois ela se torna insuportável quando é lembrada em um só instante. Porém, agora, no fim de tarde, além da saudade me resta um amor imensurável por cada um de vocês que fizeram parte da minha vida por todo o ano letivo.

Pós a afobação trazida pela manhã, pelo resto do dia fui flagrada inúmeras vezes pensando no que poderia dizer para cada um de vocês em nossa última estada juntos, e não posso esconder que um turbilhão de sentimentos se fez presente em mim, trazendo consigo uma urgência inexplicável. O que eu poderia dizer para os professores, para os funcionários, e para vocês, meus amigos de classe? Para o Axl eu diria o quão gratificante foi pra turma tê-lo presente. Para o Luiz Carlos diria que as suas perguntas magníficas nas aulas de Biologia também foram produtivas pra nós. Para a Amanda diria que discrição é fundamental, mas que seu jeito espalhafatoso torna qualquer aula mais divertida. Para o Pedro diria que quem faz a nossa sorte somos nós. Para a Raiane tentaria explicar que a vida não é fácil, mas que ninguém disse que seria.

Agora, e pra vocês, professores e funcionários? Para o Bambam eu diria que além do carisma, a honestidade prevalece no julgamento do caráter, e ainda assim ele se torna um exemplo. Para o JJ diria que seu jeito de dar aula é encantador, assim como a sua pessoa. Para o Luciano diria que pessoas “brutas” não necessariamente são insensíveis, e ele é a prova disso. Para o Calixto diria que seu senso de humor não pode ir embora, mesmo com muita luta. Para o Raphael diria que suas piadas alegraram muitos dias nublados. Para o Rodrigo diria que seu sorriso foi o responsável por inúmeras alegrias. Para o Erivelton diria que suas músicas, por muitas vezes, animaram nossas manhãs.

Mas como eu poderia resumir tantos desejos e tanto sentimento numa só linha? Encontrei uma frase perfeita, que serve tanto para os alunos, quanto para os professores e funcionários. Se eu pudesse dizer algo a vocês, hoje, diria: “Vou morrer de saudade."

Formatura de 2010 (17/12/2010) - Surpresa Final

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bem sem saber




Existem pessoas que provocam o bem sem saber, e talvez por não saberem o tamanhão de todo o bem que fazem, são encarregadas por essa tarefa durante uma vida inteirinha. Existem pessoas que provocam sorrisos de graça, sorrisos que lembram um fim de tarde fresco em um jardim qualquer. Existem pessoas que trazem de volta a felicidade quando, no momento, ela parecia não mais existir. Nem ali, nem em qualquer outro lugar do mundo. Existem pessoas abençoadas, pessoas que tem formas de prece. Formas tão diferenciadas que se pode distinguir somente pelo olhar. Ou pelo sentir.
Existem pessoas que vieram até aqui com o único objetivo de fazer o bem. E arrisco dizer que o bem sem saber é mais proveitoso, mais delicado, mais simples, eu diria. Não é preciso esforço algum, apenas estar presente.
Tenho um amigo que provoca um bem maravilhoso sem dizer uma palavra. E se for realmente essa a sua missão na Terra, de mim, ele jamais saberá.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Chorar com o coração




Chora-se com o coração quando a dor é forte, quando a alma pede, quando a tristeza se acomoda. Chora-se com o coração não por dores físicas, mas dores da alma. Dores que não vão embora com remédios, que ficam ali, atrapalhando o nosso sono, e se fazem dores. Chora com o coração quem tem medo de amar. Medo de sofrer com o amor. E medo de ser feliz pra sempre também.
Chora-se com o coração quando os olhos já estão cansados, quando as lágrimas não encontram outro caminho. Chora-se por sonhos não realizados, por ansiedade, por derrotas que não deveriam ser nossas. O choro do coração é definitivamente diferente do choro dos olhos. Os olhos jamais seriam capazes de demonstrar tamanha sinceridade e desespero. A sinceridade da alma e o desespero do corpo. Chora-se com o coração quando não é preciso dizer mais nada, só chorar...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Essa antiga história de não falar se faz presente em nossas vidas há bons e longos anos. Ela chega devagar, sem fazer barulho, e de repente, já estamos rendidos. A vontade sem a coragem. O desejo junto do medo. A nostalgia lado a lado com a indiferença. Por vezes acreditamos fielmente que ser indeferente é o melhor a se fazer. Afinal, quem gosta de ter alguém que diz o tempo todo o que sente e o que quer da vida?
Eu gosto. Gosto sim. Gosto de quem possui essa incrível capacidade de demonstrações. Tanto do medo quanto do amor. Sabe lá quanto vale um sorriso inesperado, uma palavra doce junto de um carinho bondoso, sabe lá... Perdemos grandes chances o tempo inteiro pela teimosa mania de viver a espera de. Deixamos todas elas irem embora pelo simples fato de que não queremos nos render aos sentimentos. Às vontades. Às palavras. Às dores. E até mesmo aos segredos mais profundos.
Acredito que viemos até aqui com o único objetivo de dividir. Dividir solidão. Dividir afeto. Dividir respeito. E todo tempo parece pequeno demais quando finalmente descobrimos isso. Quando finalmente percebemos quantas chances nos escaparam por entre os dedos. Quanta sorte jogamos fora. Quanta saudade deixamos guardada pra nada. Pra nada...