segunda-feira, 29 de abril de 2013
tô com preguiça
Era, provavelmente, a vigésima oitava vez que eu repetia essa frase. Tô com preguiça. Meu shampoo acabou ontem e eu não tive coragem de sair pra comprar um novo. Usei o shampoo de uma das meninas que moram comigo, sem ela saber. Pensei: sou uma pecadora. Resolvi descer e comprar o meu shampoo hoje a noite. Cada degrau a mais é um a menos. Fui repetindo, como um mantra, até chegar lá embaixo. Comprei o dito cujo e pedi perdão a Deus pelo o que foi roubado.
O dia está frio e eu só consigo pensar na quantidade de coisas que poderia deixar de fazer. Eu penso também na quantidade de coisas que deveria fazer, é claro. Preciso sair desse buraco e imaginar algo mais bonito pra minha vida, correr atrás de um curso de desenho, beber água, orar muito mais, começar a ler aquele livro, varrer o quarto, mas tô com preguiça.
Se a preguiça é mesmo um dos sete pecados capitais, tenho medo do que Deus tem reservado pra mim.
O tempo passa e eu começo a sentir não só preguiça desses mínimos detalhes: a compra de um shampoo, a obrigação de levantar às cinco da matina numa segunda-feira, a organização do cubículo onde eu moro. Minha preguiça se estendeu às minhas relações interpessoais.
Deixe-me explicar.
Tô com preguiça de conhecer gente vazia. Tô com preguiça de conhecer gente, na verdade. Ter que expôr os meus problemas e esperar por uma compreensão que nunca vem. Ter que relembrar as minhas dores mais antigas e esperar que me aceitem de coração aberto. Tô com preguiça de distribuir sorrisos e ser simpática quando, na verdade, ninguém vai ser simpático comigo. Tô com preguiça de esperar por gentilezas e receber surras, tanto de pessoas próximas quanto do moço do posto de gasolina. A ignorância das pessoas tem me assustado e me entristecido e me enrijecido. Hoje eu chorei porque esbarrei forte num cara na rua, pedi perdão e ele me olhou com raiva. De onde vem todo esse sentimento amargo? Será que é preguiça de ser humano, ser gentil ou ser alcançado pelos outros?
Preciso parar com isso.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Talvez era mesmo disso que a gente precisava: um passeio de mãos dadas. Sem compromissos, sem cobranças, sem cuidados pra não pisar nos ovos espalhados pelo caminho todo. De mãos dadas e só. Porque de mãos dadas a alma fala alto, o riso rola fácil e a desconfiança... a gente deixa pra um dia de chuva.
Talvez era mesmo disso que a gente precisava: um tempo de sossego pra vida. Um tempo pro choro descansar em paz dentro de nós, você entende? Um dia de sorrisos pro mundo. De gentilezas pro próximo. De fotografias de bicicletas. De hambúrguer sem salada. Você entende, né? Talvez era mesmo disso...
Talvez era mesmo disso que a gente precisava: um tempo de sossego pra vida. Um tempo pro choro descansar em paz dentro de nós, você entende? Um dia de sorrisos pro mundo. De gentilezas pro próximo. De fotografias de bicicletas. De hambúrguer sem salada. Você entende, né? Talvez era mesmo disso...
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
tão estranho aqui
mas tem gente que não liga pro que tem por dentro não, moço bonito.
uma bela boca, olhos bem alinhados e cabeça vazia é o que basta
pra uma nova paixão.
Paixão?
Sei não.
Sou meio torta.
Vejo e não digo, falo e não penso.
Paixão não é isso não, moço bonito
ou até pode ser.
vazia, inquieta, passageira
o amor é que não pode.
Não pode ser não, moço bonito.
uma bela boca, olhos bem alinhados e cabeça vazia é o que basta
pra uma nova paixão.
Paixão?
Sei não.
Sou meio torta.
Vejo e não digo, falo e não penso.
Paixão não é isso não, moço bonito
ou até pode ser.
vazia, inquieta, passageira
o amor é que não pode.
Não pode ser não, moço bonito.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
to precisando
1. escrever mais
2. falar mais
3. aprender a costurar
4. assistir um bom filme
5. adotar um gatinho
6. estudar matemática
7. fazer esportes
8. comprar roupas de gente grande
9. me encontrar
10. comer menos chocolate
11. terminar uns exercícios chatos de física
12. lembrar das outras coisas que estou esquecendo que estou precisando
13. deixar o cabelo crescer
14. ir num show do Djavan
15. ser poeta
16. beber mais água
17. aprender a administrar meu dinheiro
18. tirar fotos
19. não ligar pra bobagem
20. conhecer gente
e talvez esteja precisando escrever coisas mais úteis.
2. falar mais
3. aprender a costurar
4. assistir um bom filme
5. adotar um gatinho
6. estudar matemática
7. fazer esportes
8. comprar roupas de gente grande
9. me encontrar
10. comer menos chocolate
11. terminar uns exercícios chatos de física
12. lembrar das outras coisas que estou esquecendo que estou precisando
13. deixar o cabelo crescer
14. ir num show do Djavan
15. ser poeta
16. beber mais água
17. aprender a administrar meu dinheiro
18. tirar fotos
19. não ligar pra bobagem
20. conhecer gente
e talvez esteja precisando escrever coisas mais úteis.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
versos soltos
deu saudade vontade de ir embora de ficar aqui copo de coca-cola calor insuportável quatro dias de carnaval sem vontade de estar aqui tá acabando a temporada insipiração já foi embora sem querer paro por aqui ventilador ligado na cara televisão prega a ignorância eu preciso não estar aqui quero um som que tranquilize um olhar que diga mais bocas que falem menos fazer caridade também um copo d'água um dia de chuva paz conversa de botas batidas é a da vez sem pressa um livro novo aulas de teatro timidez zerada exercitar o riso alguns dias de férias estudar visitar vovó terça ou quarta não sei cuidar da gata cuidar de mim cuidar uma mesa de bar amigos por perto nada tá certo mas eu tô aqui e tô atrasada é a vida da gente
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carnaval é época de gente feliz, extrovertida, despreocupada e, principalmente: GENTE SOLTEIRA. Começar um namoro numa data como essa é algo inaceitável, quase digno de julgamento e pesquisas policiais com o objetivo de saber o motivo pelo qual um ser humano que possui um cérebro e alguns bons hormônios espalhados pelo corpo pode iniciar um relacionamento justo nesse momento tão esperado por todos. Como será possível?
Pois bem. A maioria das pessoas que supervalorizam a cultura carnavalesca do nosso país (marchinhas, blocos, funk, mãos, beijos, gente desconhecida...) passam o ano inteiro reclamando por não ter alguém. Mas durante os quatro intermináveis dias de Carnaval, é um ORGULHO ser solteiro. É mais que um orgulho, eu diria. É um rótulo. Amigos solteiros: vamos comemorar. Amigos compromissados: a gente se vê daqui uma semana.
Perdoem a minha ignorância os adoradores dessa época, mas arrisco dizer que um amor bem resolvido e que acalenta a alma faria diminuir o som e perder a graça daquela música: "Sou praieiro, sou guerreiro, tô SOLTEIRO, quero mais o que?"
Eu quero bem mais que estar solteira, Jammil. Quero a sorte de um amor tranquilo, já dizia Cazuza, o maior dos rebeldes. Quero poder dar e receber afeto. Aprender a dividir. Quero danças mais leves. Estar tranquila espiritualmente. Quero ceder em nome do outro. E sentir que ele cede em meu nome também. Quero não precisar forçar a alegria. Estar calada sem culpa. Quero compreensão e espero compreender. Quero fazer o que der na telha sem precisar de quatro dias que me escondam.
Pois bem. A maioria das pessoas que supervalorizam a cultura carnavalesca do nosso país (marchinhas, blocos, funk, mãos, beijos, gente desconhecida...) passam o ano inteiro reclamando por não ter alguém. Mas durante os quatro intermináveis dias de Carnaval, é um ORGULHO ser solteiro. É mais que um orgulho, eu diria. É um rótulo. Amigos solteiros: vamos comemorar. Amigos compromissados: a gente se vê daqui uma semana.
Perdoem a minha ignorância os adoradores dessa época, mas arrisco dizer que um amor bem resolvido e que acalenta a alma faria diminuir o som e perder a graça daquela música: "Sou praieiro, sou guerreiro, tô SOLTEIRO, quero mais o que?"
Eu quero bem mais que estar solteira, Jammil. Quero a sorte de um amor tranquilo, já dizia Cazuza, o maior dos rebeldes. Quero poder dar e receber afeto. Aprender a dividir. Quero danças mais leves. Estar tranquila espiritualmente. Quero ceder em nome do outro. E sentir que ele cede em meu nome também. Quero não precisar forçar a alegria. Estar calada sem culpa. Quero compreensão e espero compreender. Quero fazer o que der na telha sem precisar de quatro dias que me escondam.
Eu quero MUITO mais que estar solteira, Jammil.
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