domingo, 5 de junho de 2011

Abre aspas

Não é medição de dor. Não é nem dor, se quer saber. É um bem querer desgovernado, só isso.

Fecha aspas

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Lapsos

Ando tendo lapsos que, de tão constantes, merecem ser divulgados. Não só como forma de desabafo, mas também como inovação. Já dizia Martha Medeiros: "A vida é inventiva". De nada adianta viver de rotina. Então mudaremos, por hoje sem crônicas, sem desamores, sem exageros. Teremos uma uma história real, uma história minha, e que medo isso me traz.

Deixe-me explicar.

De uns tempos pra cá tenho tido grande dificuldade de concentração - o que não é nada sobrenatural, todos nós passamos por isso, eu espero -, o que também explica grande parte da minha distração e silêncio. Aliás, acho que trago essa dificuldade na mala há bons e longos anos, interpretem como quiser. Alguns amigos e familiares sugerem um tipo de "lerdeza" (santa paciência!), eu sugiro o desapego. Porém, dia após dia, fui apresenta a diversas situações completamente embaraçosas que, além de me tirarem o fôlego, me fizeram perceber que não satisfeita com a falta de concentração, tenho tido falta de memória. Sem piadas, pessoal. Isso é sério.

Então vamos às exemplificações.

Segunda-feira, 31 de maio de 2011. Lá estava eu, morrendo de sono, deitada numa poltrona de um ônibus rumo ao Rio de Janeiro. Nada de anormal, rotineiro que só. Até que sinto falta da chave do apartamento onde moro. Meu Deus! Como pude esquecer o que é mais importante? Entrei em desespero. Não só por pensar que estava sem a chave, mas por pensar que estava sem o celular - dessa vez, sim, síndrome da lerdeza crônica -, e que não poderia me comunicar com ninguém até a partida do ônibus. "O que fazer?", pensei. Após alguns minutos de silêncio, resolvi pedir o celular da moça que sentava na minha frente. Ah, como não havia pensado nisso antes? Uma moça tão boazinha, tão gentil, jamais me negaria uma chamada a cobrar feita pelo seu celular.

Então vamos lá, deixando a vergonha de lado. Pedi. Ela emprestou. Fiz a ligação e uns minutinhos depois meu pai estava lá, meu herói, trazendo a chave do apartamento na mão. Merecia um beijo bem estalado como despedida e agradecimento, o fiz. Então voltei para o ônibus. Sentei, mais uma vez, na minha poltrona confortável, e quando já me preparava pra dormir, me veio o pensamento: "Eu devolvi o celular pra moça da frente?"

Não devolvi. Guardei dentro da mochila, sem perceber. Não guardei. Ah, coloquei no bolso da calça. Não coloquei. Então caiu no chão. Não caiu. Pensei: "Sou uma ladra!". Mas uma ladra por distração, diga-se de passagem. Passei as duas horas de viagem me martirizando e pensando em como poderia me desculpar e recompensar a moça pelo dano. Nem dinheiro eu tinha, meu Deus, nem dinheiro. O que aquela mulher poderia exigir de mim? Me levaria presa, de fato. Sairia nas manchetes dos jornais: "Garota de 18 anos é presa por roubar o celular de uma pobre moça dentro do ônibus!". Ou então: "Garota de 18 anos é jogada pela janela do ônibus por uma senhora de 35. Motivo: o roubo de um celular!". Ela era boazinha, tenho certeza disso. Mas não me perdoaria porque tenho um belo sorriso. "Cara de pau essa garota, hein?", todos pensariam. Eu também pensaria, caso não fosse distração. E foi.

Não consegui dizer uma palavra àquela senhora durante toda a viagem, quis inúmeras vezes segurá-la e dizer: "Moça, me diz, pelo amor de Deus, que eu devolvi o celular pra senhora?". Não disse, não tive coragem, não queria adotar esse novo fardo pra minha vida: ladra. Ladra de celulares. Ladra de celulares de moças boazinhas e gentis. No que pude me transformar? Passados os mais longos cento e vinte minutos da minha vida, vejo a delicada moça puxando o celular da bolsa para verificar a hora. Nunca fiquei tão feliz por ver um aparelho daquele na minha frente, ainda mais o dela, que eu não havia roubado, havia apenas esquecido que entreguei. Minha vontade era puxá-la e dizer: "Nunca mais empreste o seu celular pra gente com falta de memória, ouviu? Nunca mais."
Será que eu disse pelo menos "obrigada"? Acho que não.

Então, o texto de hoje é dedicado não só à minha falta de memória, que quase me fez passar mal numa manhã de segunda-feira, mas também à gentil moça que nos tempos de hoje ainda confia o celular nas mãos de uma estranha.
OBRIGADA!

domingo, 17 de abril de 2011



Por hoje eu só queria dizer que sinto muito. Queria dizer que sinto muito pelos dias cheios de nuvem em que não pude fazer nascer um sol só pra você. Queria dizer que sinto muito pela minha imaturidade, e dizer também que nada do que houve me fez desgostar ou deixar de gostar um pouquinho que seja de você. Queria dizer que sinto muito pelos dias em que precisou, inacessantemente, da minha presença, e que não pude fazê-la em corpo. Nossas dificuldades sempre caminharam lado a lado conosco, não é mesmo?


Queria dizer que sinto muito, sinto tanto, por ter sido uma menina no momento em que precisava ser gente grande, mas é que ser gente grande às vezes é tão difícil. Queria dizer que sinto muito por ainda acreditar em finais felizes e contos de fadas enquanto você precisa ser mais que isso, sabe? Queria dizer que sinto muito por não ter acreditado em você, por não ter acreditado em mim, e, com isso, ter desacreditado de nós. Queria dizer que sinto muito por ter me virado ao avesso inúmeras vezes em prol da sua defesa quando o assunto era só seu. Como você mesmo vê, essa mania de carregar o mundo nas costas ainda me persegue.


Queria dizer que sinto muito pelo término das nossas infantilidades - nos poucos momentos em que podíamos ser infantis -, das nossas brincadeiras sem fim, mesmo que por poucos minutos. Queria dizer que sinto falta de crescer com você, de ser com você. E queria dizer que sinto muito por sentir tanto, mas sinto mais ainda por não querer dizer adeus, por não poder dizer. Por hoje eu te digo até logo, até amanhã, fique bem, durma com Deus, se cuide, juízo. Mas adeus? Ah, adeus não... O nosso adeus eu deixo pra um dia chuvoso.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

De tempo em tempo


A vida, de tempo em tempo, reserva pequenas dádivas que nos são apresentadas em formas de abraço, de gente, de aconchego. Abraços tão acolhedores, gente tão motivadora e aconchegos tão semelhantes às preces que pensamos estar sendo presentados. E estamos. A vida, de tempo em tempo, reproduz momentos inesquecíveis ao lado de pessoas extraordinárias, estejam elas presentes há muito ou pouco tempo em nossas caminhadas. Mas quem vai se importar com o tempo quando o assunto é a vida?

A importância dada a cada situação vai de acordo com a necessidade criada. E a vida, de tempo em tempo, cria necessidades assustadoras. Necessita-se estar em casa, mesmo fora dela. Necessita-se conhecer gente, se espelhar em gente, crescer como gente. Ou simplesmente ser um pouco mais gente, gentilmente. Necessita-se ser só felicidade, sem espaço pra angústia. Pra nostalgia. Pra saudade. Saudade?

A vida, de tempo em tempo, prega peças indiscutivelmente forçosas. Não como uma maneira de castigar ou repreender, mas como desafios que devem, sim, nos trazer aprendizado e satisfação pessoal. E com o tempo a gente tenta, a gente aprende, a gente se acostuma, mas não se acomoda. Nesse domingo com jeitinho de família reunida num jardim florido e cheiro de algodão doce, um "salve" para os que tentaram e conseguiram, para os que tentaram e não conseguiram, mas em especial para os que jamais deixarão de tentar.

terça-feira, 8 de março de 2011

Nostalgia

Manhã de sexta-feira, o dia amanheceu diferente para pelo menos trinta e sete corações aqui presentes. O desespero e a alegria, quando juntos, trazem uma sensação terrivelmente difícil de ser descrita, assim como as tão famosas borboletas no estômago. Não se tem uma exatidão sobre elas, sequer sabemos de onde elas vieram, mas sabemos que estão lá. O dia amanheceu irrevogavelmente diferente, os pásssaros cantarolavam em leves tons de despedida e a saudade resolveu se fazer presente de uma só vez, sem piedade. Ouvi dizer, certo dia, que a saudade deve ser cuidadosamente parcelada, pois ela se torna insuportável quando é lembrada em um só instante. Porém, agora, no fim de tarde, além da saudade me resta um amor imensurável por cada um de vocês que fizeram parte da minha vida por todo o ano letivo.

Pós a afobação trazida pela manhã, pelo resto do dia fui flagrada inúmeras vezes pensando no que poderia dizer para cada um de vocês em nossa última estada juntos, e não posso esconder que um turbilhão de sentimentos se fez presente em mim, trazendo consigo uma urgência inexplicável. O que eu poderia dizer para os professores, para os funcionários, e para vocês, meus amigos de classe? Para o Axl eu diria o quão gratificante foi pra turma tê-lo presente. Para o Luiz Carlos diria que as suas perguntas magníficas nas aulas de Biologia também foram produtivas pra nós. Para a Amanda diria que discrição é fundamental, mas que seu jeito espalhafatoso torna qualquer aula mais divertida. Para o Pedro diria que quem faz a nossa sorte somos nós. Para a Raiane tentaria explicar que a vida não é fácil, mas que ninguém disse que seria.

Agora, e pra vocês, professores e funcionários? Para o Bambam eu diria que além do carisma, a honestidade prevalece no julgamento do caráter, e ainda assim ele se torna um exemplo. Para o JJ diria que seu jeito de dar aula é encantador, assim como a sua pessoa. Para o Luciano diria que pessoas “brutas” não necessariamente são insensíveis, e ele é a prova disso. Para o Calixto diria que seu senso de humor não pode ir embora, mesmo com muita luta. Para o Raphael diria que suas piadas alegraram muitos dias nublados. Para o Rodrigo diria que seu sorriso foi o responsável por inúmeras alegrias. Para o Erivelton diria que suas músicas, por muitas vezes, animaram nossas manhãs.

Mas como eu poderia resumir tantos desejos e tanto sentimento numa só linha? Encontrei uma frase perfeita, que serve tanto para os alunos, quanto para os professores e funcionários. Se eu pudesse dizer algo a vocês, hoje, diria: “Vou morrer de saudade."

Formatura de 2010 (17/12/2010) - Surpresa Final