segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Chorar com o coração




Chora-se com o coração quando a dor é forte, quando a alma pede, quando a tristeza se acomoda. Chora-se com o coração não por dores físicas, mas dores da alma. Dores que não vão embora com remédios, que ficam ali, atrapalhando o nosso sono, e se fazem dores. Chora com o coração quem tem medo de amar. Medo de sofrer com o amor. E medo de ser feliz pra sempre também.
Chora-se com o coração quando os olhos já estão cansados, quando as lágrimas não encontram outro caminho. Chora-se por sonhos não realizados, por ansiedade, por derrotas que não deveriam ser nossas. O choro do coração é definitivamente diferente do choro dos olhos. Os olhos jamais seriam capazes de demonstrar tamanha sinceridade e desespero. A sinceridade da alma e o desespero do corpo. Chora-se com o coração quando não é preciso dizer mais nada, só chorar...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


Essa antiga história de não falar se faz presente em nossas vidas há bons e longos anos. Ela chega devagar, sem fazer barulho, e de repente, já estamos rendidos. A vontade sem a coragem. O desejo junto do medo. A nostalgia lado a lado com a indiferença. Por vezes acreditamos fielmente que ser indeferente é o melhor a se fazer. Afinal, quem gosta de ter alguém que diz o tempo todo o que sente e o que quer da vida?
Eu gosto. Gosto sim. Gosto de quem possui essa incrível capacidade de demonstrações. Tanto do medo quanto do amor. Sabe lá quanto vale um sorriso inesperado, uma palavra doce junto de um carinho bondoso, sabe lá... Perdemos grandes chances o tempo inteiro pela teimosa mania de viver a espera de. Deixamos todas elas irem embora pelo simples fato de que não queremos nos render aos sentimentos. Às vontades. Às palavras. Às dores. E até mesmo aos segredos mais profundos.
Acredito que viemos até aqui com o único objetivo de dividir. Dividir solidão. Dividir afeto. Dividir respeito. E todo tempo parece pequeno demais quando finalmente descobrimos isso. Quando finalmente percebemos quantas chances nos escaparam por entre os dedos. Quanta sorte jogamos fora. Quanta saudade deixamos guardada pra nada. Pra nada...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Perda dos traços

Tem vezes que paro pra pensar em como se faz a perda dos traços. Não a dos laços, a dos traços mesmo. Em como o tempo e a vida, com suas agressividades distintas, tem a capacidade de nos fazer esquecer o que parecia tão importante pra nós. E não é que não tenha sido. Mas acredito que com o viver e o passar dos anos, nossa velha e boa gaveta de memórias reserva apenas o que deve ser lembrado.
Que crueldade, não? Sem ao menos nos perguntar, pedir um palpite ou uma ajudinha aqui e ali, nossa mente escolhe dedo a dedo o que devemos, e não o que queremos lembrar. É claro que existem épocas marcantes, casamentos, aniversários, celebrações de todo o tipo. Mas não falo disso, não falo dos laços. Das pessoas e de todos esses momentos certamente iremos nos lembrar, não me restam dúvidas de que existem, sim, pessoas que quero carregar para todo o meu sempre, e que vou carregar. Eu falo dos traços. Da suavidade dos sorrisos, da leveza das mãos, dos olhares marcantes, das pequenas palavras não ditas, até da voz eu falo. Como somos capazes de esquecer o timbre da voz de quem foi tão importante? É quase uma traição. Mas a culpa, se é que assim devemos chamar, é do tempo, das necessidades e da nossa própria mente.
O esquecimento dos detalhes - ou traços - mesmo que valorizados, se tornam incontroláveis. E não há muito o que fazer sobre isso. Conforme há o enchimento de uma gaveta, é natural que retiremos os objetos menores para dar espaço aos maiores. Talvez seja melhor lembrar por um todo, não pelo pouco. Talvez...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010


Voltando a nostalgia trazida pelos dias chuvosos, parei pra pensar em como nos tornamos adeptos às facilidades que a vida nos propõe. E em como acreditamos, fielmente, em meias verdades que tem o poder de acalentar nossas almas.
Em meio a diversos detritos emocionais, um estado de espírito protetor e inconsciente toma conta de todo o nosso ser, e somos capazes de atribuir novas regras às nossas turbulentas estadas na Terra. Algumas almas lúgebres costumam aconselhar viagens, assim como pequenas fugas, a fim de que haja o esquecimento dos tão temidos problemas quando a época não é boa. Viajei nesse fim de ano, e sou feliz por dizer que meus problemas também fizeram as malas e embarcaram comigo. Caso contrário, seria fácil. Felizes, em casa. Infelizes, fora de casa. Qualquer fugidinha da cidade serviria de conforto e, assim, os problemas jamais teriam a mesma importância e intensidade que tem.
Então, por hoje, um “salve” especial para as adversidades encontradas pelo meio do caminho, e que as nossas fugas se tornem a cada dia menores e menos gratificantes.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010


"O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que amássemos uns aos outros."

Bom Natal!

domingo, 12 de dezembro de 2010


A gente perde e ganha pessoas o tempo inteiro. Perdemos por erros, ganhamos por acertos. Ou simplesmente perdemos e ganhamos porque tem que ser assim. A vida nos presenteia e tira um pouquinho de nós a cada dia que passa. Parei pra pensar na quantidade de pessoas que perdi e ganhei esse ano. E seja lá pela satisfação ou pela dor que senti, sou feliz por ainda ter a vida em movimento.

Boa semana!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Definições

Vivo questionando o fato do ser humano se definir. Seja lá através da internet ou por conversas altamente regadas de sofisticação, todos tentam, quase que em tempo integral, demonstrar o quão bom homem se é. O quão bom cidadão e pai de família se é. E o quanto a sociedade ganha por simplesmente tê-lo vivendo ali. As pessoas buscam por uma definição constante, uma vontade de expor o que se tem e valorizar o que se transmite. Acredito que uma discussão sobre caráter ou contribuições não seja uma boa maneira de se inicar uma amizade ou uma simples apresentação. Um assunto de tal nível deve ser tratado apenas naqueles momentos em que há a busca por uma conquista maior, uma entrevista de emprego ou um pedido de casamento. Antes de sabermos o quanto alguém contribui para a melhoria do mundo ou então para o crescimento geral de uma empresa, deveríamos procurar saber as menores coisas que aquela pessoa carrega consigo. Saber o que ninguém dá valor: o que ela gosta de fazer quando o sol se põe, o que ela pensa quando vai deitar, ou então as rasteiras que a vida já lhe deu. Os seus maiores sonhos e os maiores medos também fazem parte dessa lista. Eu escolheria falar sobre os sentimentos. Não sobre aquelas loucuras que assustam os receptores da mensagem. Mas os pequenos mesmo. As minorias que fazem parte do nosso dia-a-dia e que sequer percebemos. A saudade, eu deixaria por último. Falaria um pouco sobre as rosas, os livros, os cheiros marcantes, as almas caridosas e cheias de luz, e outras coisas românticas e minúsculas. Falaria também sobre as pessoas que causam felicidade sem saber. Que distribuem sorrisos e olhares compreesivos, e que simplesmente não tem idéia da imensidão do bem que fazem. Falaria sobre os tantos maravilhosos amigos que tenho, e o quanto sou grata a eles. Falaria sobre Deus. Sobre os pássaros. Sobre a timidez que todos os dias me impede de fazer algo que gostaria. Sobre o quanto sou feliz e boba. E também sobre o quanto a vida me presenteia, a cada dia que acordo.
Preguiçosa é o meu nome, Helen é só apelido. Muito prazer.